“O Design não é Arte, de todo! … tem de ter arte”, a afirmação é de Diogo Gama Rocha, na sede da Omdesign, junto ao mar de Matosinhos, na área metropolitana do Porto, que capta bem o espírito que orienta toda uma equipa de profissionais em design. Há vários anos, a Omdesign prova a sua forte experiência em Packaging Design no iF DESIGN AWARD com uma posição no Top 3 entre mais de 800 participantes e uma posição no Top 10 de Estúdios de Design premiados nos últimos cinco anos.
Diogo Gama Rocha
Nascido no Porto, Portugal, em 1973, é o Fundador da Omdesign, uma das principais agências portuguesas de design e publicidade. Diogo licenciou-se em Design Gráfico na ESAD em Matosinhos, Portugal, e tirou o seu mestrado em Marketing e Comércio Internacional na ESADE em Barcelona, Espanha. Foi membro do júri de vários concursos de design de renome e ganhou vários prémios de design, incluindo dois iF Gold Awards, desde 2016.
Raízes e evolução da Omdesign
A Omdesign foi criada em 1998, ano em que Portugal realizou a Expo 98 – a exposição mundial que teve lugar em Lisboa –, e passadas mais de duas décadas de existência dedicadas à prestação de serviços de design e de publicidade, ela evoluiu de micro para pequena empresa. Uma evolução sem pressas, num processo de ganho de maturidade contínuo, que sublinha antes de tudo mais o que a empresa é e não o que ela possa parecer aos outros. É uma forma de estar que Diogo Gama Rocha gosta de passar à sua equipa, inteiramente nacional. Uma equipa multidisciplinar, onde a parte criativa é a maior, mas onde se integra também a comunicação e a produção. Não há uma preocupação com quotas relativa ao género, perfeitamente equilibrada entre mulheres e homens numa equipa em que sente um orgulho que é comum a todos. Tal como é intenso em tudo aquilo que faz, Diogo Gama Rocha também exige o mesmo dos seus colaboradores. Mas o sentimento geral, diz, é natural a todos e que todos sentem que só pelo gosto, pela dedicação e pela entrega total se poderão alcançar novos estádios de evolução profissional. Tudo feito com muita naturalidade, com verdade e sem necessidade de águas muito agitadas. “Simplicidade e discrição é a mais fina das elegâncias”, como costuma dizer, no trabalho ou em casa.
Diogo Gama Rocha:
“O foco e o pragmatismo, mais a busca pela perfeição e a excelência, são um modo de estar na vida.”
iF: Desde 2015, a Omdesign tem vindo a ganhar notoriedade nacional e internacional, sendo reconhecida e premiada em vários conceituados concursos de design. Quais acha que foram os fatores cruciais para esse sucesso?
DGR: Bem, este reconhecimento é o resultado de muitas circunstâncias diferentes. Especialmente, o relacionamento da Omdesign com seus fornecedores e parceiros desempenhou um papel crucial nisso. Comunicar sobre como trabalhar e como fazer um trabalho corretamente é o fator mais importante para esse relacionamento. Apenas podemos superar as dificuldades dos processos de produção em conjunto. É uma relação com dois sentidos, da empresa com fornecedores ou parceiros, e vice-versa, em que a interiorização dos mesmos valores e princípios são fundamentais para o trabalho conjunto. Como o sucesso e a superação de desafios são um trabalho de equipa, alcançar um bom relacionamento de trabalho é essencial.
iF: Houve alguma circunstância específica no seu passado, em que teve um impacto nas suas capacidades e na maneira como trabalha? Por exemplo, o seu seio familiar?
DGR: O meu ambiente familiar proporcionou-me uma atmosfera rica, com marcas e exemplos do meu pai e dos meus avós que, para lá do jeito e a inclinação para muitos ofícios, tinham ambos vontade de aprender, de procurar conhecimento em diversas áreas. O meu pai tinha uma oficina em casa, para fora do trabalho, dar largas à paixão por tudo o que eram trabalhos manuais e o fascínio pelos automóveis clássicos. A minha mãe influenciou fortemente o meu gosto pelos detalhes, os pormenores e a capacidade de criar o requinte.
A minha avó desempenhou um papel no despertar da minha orientação e a exigência pelo detalhe da cor, dado que era artista plástica. Por fim, a figura do meu avô João Martins da Costa, conhecido artista plástico e referência no da arte nacional, foi também uma importante influência. Era apelidado como o "da Vinci português", por ser uma pessoa para a época com um pensamento muito evoluído em diversas áreas e dotado de uma inteligência muito fora do normal. Por exemplo, tem estudos relativos ao aproveitamento da energia produzidos pelas marés, recentemente adaptados e materializados.
iF: O que pensa sobre a perfeição, ou melhor, o que leva a um resultado perfeito?
DGR: Bem, pessoalmente eu acho que nunca atingi a perfeição nem vou lá chegar tão cedo. Mas admito que houve momentos em que tive a sensação de quase atingir essa chamada perfeição. E nesse rumo à perfeição há inevitavelmente muito trabalho e muita insatisfação. Desde 1998, o foco e o pragmatismo mais a busca pela perfeição e a excelência são um modo de estar na vida. É esse o modus operandi da equipa onde a qualidade humana é fundamental. De uma maneira maniqueísta, só há duas formas: “ou bem ou mal”. O mais ou menos, o meio termo, isso não interessa, temos de trabalhar para o bom e o muito bom. Tenho plenamente a consciência de que aquilo que se conseguiu ontem ou é alcançado hoje terá de ser superado amanhã. É esta a filosofia da Omdesign, algo que está presente diariamente e desde o início da empresa.
iF: E os clientes percebem essa perfeição?
DGR: Na Omdesign, vamos sempre mais além e para lá das expectativas que os clientes têm, do início ao fim do processo. Fico satisfeito por essa exigência e coerência. E ainda faço oque gosto e sou pago por isso. Mas para concluir o tópico na perfeição, tal como vi na do meu pai, tenho na minha secretária de trabalho um recorte com uma máxima de Voltaire: “a perfeição é atingida através de passos pequenos e calmos, requer sobretudo a mão do Tempo”.
Professor Gaspar Martins Pereira:
“Trabalhar com o Diogo e a equipa Omdesign é um privilégio. … Com brio artesão, combinam simplicidade de processo, ousadia e modernidade, ingredientes certos para fazer do trabalho uma arte e um prazer partilhados”.
iF: A marca, o logótipo e o simbolismo da empresa que criou permaneceram inalterados desde sua fundação. Existe um significado específico para o logótipo?
DGR: sim, o verde e o azul do logo têm um razão, um significado. O verde como cor da natureza e o azul da água que nos remete para o céu, para o mar e o elemento que sustenta a vida. Foi o que senti na altura para a marca da empresa e se mantém, é uma identidade e como tal uma idiossincrasia que não vai por modas, tendências ou vaidades. Em 2021, a Omdesign apresentou um stand na Luxe Pack Monaco, todo ele no seu verde característico.
iF: Já chegamos à última pergunta: O que a Omdesign está a fazer atualmente?
DGR: Atualmente, a Omdesign tem o privilégio de trabalhar no maior ativo das empresas: as marcas. Não acredito que a capacidade produtiva seja o fator mais importante para a riqueza de uma empresa. Na minha opinião é a marca, os seus produtos. Se a fábrica de uma empresa arder, a capacidade de produção é terrivelmente afetada. A marca, no entanto, não se perde no fogo. O professor Gaspar Martins Pereira, um amigo meu e uma pessoa por quem tenho muito respeito, disse-me uma vez que que há muitas empresas que perduraram mais de 300 anos mas o que deixaram de legado foi rapidamente esquecido. Disse-me que a Omdesign, com estes vinte anos, já deixou trabalho de inolvidável qualidade – cito: “Trabalhar com o Diogo e a equipa Omdesign é um privilégio. … Com brio artesão, combinam simplicidade de processo, ousadia e modernidade, ingredientes certos para fazer do trabalho uma arte e um prazer partilhados”.
iF: Bem, essa é uma forma maravilhosa de terminar esta entrevista. Muito obrigado pelo seu tempo.
A entrevista foi conduzida e gravada por Tiago Krusse – Editor-Chefe da "Design Magazine" sediada em Portugal – no Porto.